Casa e suas adjacências – jardim, muro, mobiliário, caracol, tapete, cozinha, etc.
BLOG DO PROCESSO
DIÁRIO POLIFÔNICO
CASA EM OBRAS
House Where Nobody Lives (tom waits)
There's a house on my block that's abandoned and cold
The folks moved out of it a long time ago
And they took all their things and they never came back
It looks like it's haunted with the windows all cracked
Everyone calls it the house
The house where nobody lives
Once it held laughter, once it held dreams
Did they throw it away, did they know what it means?
Did someone's heart break
Or did someone do somebody wrong?
Well, the paint is all cracked, it was peeled off of the wood
The papers were stacked on the porch where I stood
And the weeds had grown up just as high as the door
There were birds in the chimney and an old chest of drawers
Looks like no one will ever come back
To the house where nobody lives
Oh, and once it held laughter, once it held dreams
Did they throw it away, did they know what it means?
Did someone's heart break
Or did someone do somebody wrong?
So if you find someone, someone to have, someone to hold
Don't trade it for silver, oh don't trade it for gold
Cause I have all of life's treasures and they're fine and they're good
They remind me that houses are just made of wood
What makes a house grand, oh it ain't the roof or the doors
If there's love in a house, it's a palace for sure
But without love it ain't nothin' but a house
A house where nobody lives
But without love it ain't nothin' but a house
A house where nobody lives
What's He Building? (tom waits)
What's he building in there?
What the hell is he building in there?
He has subscriptions to those magazines
He never waves when he goes by
He's hiding something from the rest of us
He's all to himself, I think I know why
He took down the tire-swing from the pepper tree
He has no children of his own, you see
He has no dog, he has no friends
And his lawn is dying
And what about those packages he sends?
What's he building in there?
With that hook light on the stairs
What's he building in there?
I'll tell you one thing, he's not building a playhouse for the children
What's he building in there?
Now what's that sound from underneath the door?
He's pounding nails into a hardwood floor
And I swear to God I heard someone moaning low
And I keep seeing the blue light of a TV show
He has a router and a table saw
And you won't believe what Mr. Sticha saw
There's poison underneath the sink of course
There's also enough formaldehyde to choke a horse
What's he building in there?
What the hell is he building in there?
I heard he has an ex-wife in some place called Mayors Income, Tennessee
And he used to have a consulting business in Indonesia
But what's he building in there?
He has no friends but he gets a lot of mail
I bet he spent a little time in jail
I heard he was up on the roof last night, signaling with a flashlight
And what's that tune he's always whistling?
What's he building in there?
What's he building in there?
We have a right to know
Pé de vento
e no entanto, para com e contra todos
"Prazer do texto. Clássicos. Cultura (quanto mais cultura houver, maior, mais diverso será o prazer). Inteligência. Ironia. Delicadeza. Euforia. Domínio. Segurança: arte de viver. O prazer do texto pode definir-se por uma prática (sem nenhum risco de repressão): lugar e tempo de leitura: casa, província, refeição próxima, candeeiro, família lá onde é preciso, isto é, ao longe e não longe (Proust no gabinete com aromas de íris), etc. Extraordinário reforço do ego (pelo fantasma); inconsciente acolchoado. Este prazer pode ser dito: daí vem a crítica."Terão mobiliários imensos e vazios, luminosos, as áreas de serviço espaçosas, as paredes de vidro, as vistas inexpugnáveis. Terão as louças, os talheres de prata, os guardanapos, as encadernações refinadas em couro vermelho.
Eles não terão trinta anos.
Eles terão a vida pela frente.
PEREC, Georges. Les choses - une histoire des années soixante. Paris : Pocket, 2002.
Assim que eu me levanto
Continuo fazendo assim, dia após dia, menos por hábito do que para recusar a morte de um hábito. Ficar em silêncio não tem mais a menor importância.
Ponho um fundo de café em pó, da marca ZAMA filtro, que compro em grandes vidros de 200 gramas no supermercado FRANPRIX, em frente ao metrô Saint-Paul. Pelo mesmo peso, ele custa quase um terço a menos do que as marcas conhecidas, Nescafé, ou Maxwell. O próprio gosto é claramente um terço pior do que o nescafé mais grosseiro não liofilizado, que já não é lá essas coisas.
Encho minha tigela na torneira de água quente da pia.
Levo lentamente a tigela para a mesa, segurando-a entre minhas mãos que tremem o menos possível, e sento-me na cadeira da cozinha, de costas para a janela, em frente à geladeira e à porta, em frente ao sofá, feio e vazio, que está do outro lado da mesa.
Na superfície do líquido, arquipélagos de pó marrom tornam se ilhas negras bordadas de um lama cremosa que se afundam lentamente, horríveis.
Penso : E junto a paus a flux / o horrendo creme.
Não como nada, bebo apenas a grande tigela de água mais ou menos morna e cafeinada. O líquido é um pouco amargo, um pouco caramelizado, pouco apetitoso.
Engulo-o e fico um momento imóvel olhando, no fundo da tigela, a mancha preta de um resto de pó mal dissolvido.
Jacques roubaud
tradução de Inês Oseki-Dépré
UM RETRATO
Robert Creeley.
house with
small
windows,
a gentle
fall of the
ground to
a small
stream. The trees
are both close
and green, a tall
sense of enclosure.
There is a sky
of blue
and a faint sun
throug clounds.
_________________________________
casa com
pequenas
janelas,
suave
declive
da terra
para a cor-
rente. Árvores
ambas cercadas
e verdes, alto
sentido de casa.
Há um céu
de azul
e um sol tênue
entre nuvens.
Flusser + Matta-Clark
[S] [T] [*] [Q] [S] [S] [D] 1/7/9
Meus móveis deixam expostos roupas, livros, discos, cadernos, desenhos, contas textos xerocados, panfletos, cabos, câmera fotográfica, canetas, bolsas.
Presas com fita crepe nas paredes, e na porta, há um poster, uma gravura, uma lista de tarefas, e uma folha seca.
No chão do meu quarto há um tapete que cobre pisos quebrados. Sobre ele estão minhas roupas sujas, tênis, bolsa, pastas, desenhos.
Faz quatro meses que não corto minha barba ou meu cabelo, uso a maior armação de óculos que já tive.
Órbita.
this is just to say
I have eatenthe plums
that were in
the icebox
and which
you were probably
saving
for breakfast
Forgive me
they were delicious
so sweet
and so cold
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Pontogor Pontogor
Data: 1 de julho de 2011 10:35
Nem sei se era pra responder isso, mas como estou em uma casa completamente nova para mim me sinto impelido a escrever. Tudo aqui será passageiro e, portanto semi-ficcional.
Tenho cama. Meu colchão é um pouco menor que o estrado e sobra um espaço do lado direito que virou minha cabeceira. Os mosquitos são um problema e para não ser atacado coloquei uma vassoura entre a cama e a parede para todas as noites prender um lençol por cima de mim fazendo o papel de mosquiteiro.
Minha casa fica no limite de uma cidade de porto, sendo por isso meio mato, meio mar/rio.
Minha casa é quente de dia e fria de noite. Meu quarto é bem quente e a biblioteca é bem fria. Todavia, a parte mais quente da casa é a sala do aquecedor central, que fica no porão. As pessoas usam essa sala para colocar as roupas que acabaram de ser lavadas.
Os livros ficam na minha cabeceira, mas ultimamente escrevo mais do que leio.
Os únicos vizinhos que tenho aqui são os outros moradores da casa, pois a minha casa é a única nessa parte da cidade. Somos mutuamente gentis.
Um homem limpa a casa uma vez por semana (como não falamos a mesma língua eu não o conheço bem), mas sou organizado e nunca é necessário que ele limpe a cozinha do meu andar ou meu quarto.
Vivo aqui a duas semanas.
Eu cozinho todos os dias e por isso as comidas variam bastante. Arroz com brócolis, hambúrguer, berinjela refogada, macarrão a Bolognese...
Como yogurte natural todos os dias e bebo água com gás.
Temos muitos comodos aqui na casa e eu escolhi o porão como minha sala. Lá eu gravo sons e toco bateria.
Infelizmente aqui eu escovo os dentes parado dentro do banheiro. No andar onde o banheiro se encontra não tem nada de interessante pra mim.
Uso uma única gaveta e guardo sacos plásticos dentro dela.
Tudo muda o tempo inteiro em minhas estantes, mas papéis impressos recebem maior dedicação na organização. Estão sempre enfileirados e empilhados por ordem de produção, sendo os mais recentes os primeiros a serem vistos.
--
http://pontogor.blogspot.com/
lml
de
marta mestre "Falemos de casas, do sagaz exercício de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à lama.
De doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito de durar contra
a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras.
Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta
do gosto, o entusiasmo do mundo.
Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio
admirável das fontes –
pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste
como fogo exemplar.
Digamos que dormimos nas casas, e vemos as musas
um pouco inclinadas para nós como estreitas e erguidas flores
tenebrosas, e temos memória
e absorvente melancolia
e atenção às portas sobre a extinção dos dias altos.
Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,
espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos
que não viram as torrentes infindáveis
das rosas, ou as águas permanentes,
ou um sinal de eternidade espalhado nos corações
rápidos.
- Que fizeram estes arquitectos destas casas, eles que vagabundearam
pelos muitos sentidos dos meses,
dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra,
para que se faça uma ordem, uma duração,
uma beleza contra a força divina?
Alguém trouxera cavalos, descendo os caminhos da montanha.
Alguém viera do mar.
Alguém chegara do estrangeiro, coberto de pó.
Alguém lera livros, poemas, profecias, mandamentos,
inspirações.
- Estas casas serão destruídas.
Como um girassol, elaborado para a bebedeira, insistente
no seu casamento solar, assim
se esgotará cada casa, esbulhada de um fogo,
vergando a demorada cabeça para os rios misteriosos
da terra
onde os próprios arquitectos se desfazem com suas mãos
múltiplas, as caras ardendo nas velozes
iluminações.
Falemos de casas. É verão, outono,
nome profuso entre as paisagens inclinadas.
Traziam o sal, os construtores
da alma, comportavam em si
restituidores deslumbramentos em presença da suspensão
de animais e estrelas,
imaginavam bem a pureza com homens e mulheres
ao lado uns dos outros, sorrindo enigmaticamente,
tocando uns nos outros –
comovidos, difíceis, dadivosos,
ardendo devagar.
Só um instante em cada primavera se encontravam
com o junquilho original,
arrefeciam o reto do ano, eram breves os mestres
da inspiração.
- E as casas levantavam-se
sobre as águas ao comprido do céu.
Mas casas, arquitectos, encantadas trocas de carne
doce e obsessiva - tudo isso
está longe da canção que era preciso escrever.
- E de tudo os espelhos são a invenção mais impura.
Falemos de casas, da morte. Casas são rosas
Para cheirar muito cedo, ou à noite, quando a esperança
Nos abandona para sempre.
Casas são rios diuturnos, nocturnos rios
Celestes que fulguram lentamente
Até uma baía fria – que talvez não exista,
como uma secreta eternidade.
Falemos de casas como quem fala da sua alma,
Entre um incêndio,
Junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza."
Herberto Helder
anteontem ou sábado
Construindo Ruinas, Daniel Murgel
http://construindoruinas.blogspot.com/
http://www.youtube.com/watch?v=3GNNYC2XIY0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=qFbByuZGxSo&feature=related
ele escolheu a árvore - a árvore escolheu a ele
"Morando num pé de arvore
posso chegar na hora que eu quero,
deitar na hora que eu quero.
Nas minhas horas vagas eu canto:
eu crio de mente.
(ah, nós dorme sossegado)
Morava ali na liberdade,
tirei as madeiras, tirei tudo de lá
e catei isso para cá.
Já tem cinco natal, já.
A vista é muito boa, é da hora.
Se vê a paisagem muito grande:
os prédios longe, as torres.
Dá pra você flutar o mundo."






























